Sessão +SBT Show: quando o entretenimento perde a mão

Sessão +SBT Show: quando o entretenimento perde a mão. (Imagem: Reprodução)
Sessão +SBT Show: quando o entretenimento perde a mão. (Imagem: Reprodução)

No último sábado, dia 12, parei por alguns minutos para acompanhar a programação da TV aberta. Enquanto praticamente todas as emissoras apostavam no futebol, o SBT seguia por outro caminho: seu programa de auditório, o Sessão +SBT Show, comandado por Gaby Cabrini e Gabriel Cartolano.

Confesso que permaneci no canal muito mais pelo peso dos nomes envolvidos do que pela proposta do programa. Afinal, Gaby Cabrini e Gabriel Cartolano são profissionais conhecidos e, justamente por isso, esperava encontrar uma atração minimamente preparada, com ritmo, identidade e uma condução segura.

Mas não foi exatamente isso que encontrei.

Uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi o tom de algumas brincadeiras e falas dos apresentadores. Em determinados momentos, o programa parece flertar claramente com um conteúdo destinado ao público adulto, utilizando palavras de duplo sentido e situações em que fica evidente que os próprios apresentadores sabem exatamente a conotação daquilo que estão falando.

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A questão é: qual é o público-alvo do programa?

A atração é exibida em um horário em que muitas famílias ainda estão diante da televisão, inclusive crianças. Ao mesmo tempo, a classificação indicativa apresentada é livre. Não seria o caso de repensar até que ponto determinadas brincadeiras são adequadas para esse horário e para essa classificação?

Não se trata de defender uma televisão sem humor ou sem brincadeiras. O problema está na coerência entre o conteúdo apresentado, o horário de exibição e a classificação indicativa.

Apresentadores perdidos no palco?

Outro ponto que me incomodou foi a condução do programa. Em diversos momentos, tive a impressão de que Gaby Cabrini e Gabriel Cartolano estavam pouco à vontade com o formato.

Havia situações em que parecia faltar domínio sobre o roteiro, marcação de palco e até mesmo sobre qual câmera deveria ser observada. Para um programa de auditório, em que o apresentador precisa sustentar o ritmo mesmo quando alguma coisa sai do planejado, essa insegurança fica ainda mais evidente.

E isso é especialmente curioso porque estamos falando de dois nomes que já possuem experiência diante das câmeras.

Talvez o problema esteja menos nos apresentadores e mais no próprio formato ou na preparação da atração. Um programa de auditório precisa transmitir a sensação de que existe alguém no comando. No Sessão +SBT Show, em alguns momentos, essa sensação simplesmente desaparece.

Merchandising de apostas em excesso

Outro ponto que considero bastante incômodo é a quantidade de ações comerciais envolvendo casas de apostas.

O mercado publicitário das bets cresceu absurdamente nos últimos anos e passou a ocupar espaço significativo na televisão, no esporte e na internet. Mas isso não significa que toda atração precise transformar as apostas em parte constante de sua dinâmica.

O Sessão +SBT Show parece caminhar para o mesmo terreno que já gerou críticas em outras produções televisivas: quando o merchandising deixa de ser apenas uma inserção comercial e passa a fazer parte da própria experiência do programa.

A televisão precisa encontrar um equilíbrio. Se até transmissões esportivas já foram questionadas pelo excesso de publicidade de apostas, programas de entretenimento também deveriam refletir sobre os limites desse tipo de exposição.

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E os jogos?

Também não consegui entender muito bem a proposta de alguns dos jogos apresentados.

Em vez de parecerem divertidos, alguns desafios transmitiam uma sensação de constrangimento. A premiação, em determinados momentos, chegava a ser de apenas R$ 100.

E aí fica a pergunta: será que vale colocar uma pessoa no palco, submetê-la a uma situação constrangedora e transformar aquilo em entretenimento por esse valor?

O mais curioso é que, em algumas dessas brincadeiras, os próprios apresentadores acabam praticamente conduzindo os participantes até a resposta correta. O que deveria ser um desafio perde completamente a graça quando a resposta parece estar sendo entregue por quem deveria apenas apresentar a dinâmica.

Para quem está no palco, pode até ser uma oportunidade de aparecer na televisão. Para quem está em casa, entretanto, a sensação pode ser completamente diferente: em vez de entretenimento, sobra uma espécie de constrangimento televisionado.

Afinal, qual é a proposta do Sessão +SBT Show?

Talvez o maior problema da atração seja justamente esse: depois de assistir, fiquei sem entender exatamente qual é a identidade do programa.

Ele quer ser um programa de humor? De auditório? De competição? Um espaço para merchandising? Uma atração popular para disputar audiência aos sábados?

É possível fazer tudo isso, mas é preciso existir uma identidade que conecte esses elementos.

O SBT sempre teve uma tradição muito forte em programas de auditório. Silvio Santos construiu boa parte da história da emissora justamente entendendo uma coisa básica: televisão precisa ser divertida, espontânea e, acima de tudo, saber conversar com o público.

O Sessão +SBT Show ainda parece estar procurando essa identidade.

Minha crítica não é aos apresentadores enquanto profissionais, mas ao produto que está sendo colocado no ar. Gaby Cabrini e Gabriel Cartolano têm nomes e experiência suficientes para entregar algo muito melhor do que um programa que, em alguns momentos, parece improvisado, exagera no merchandising e aposta em brincadeiras que mais constrangem do que divertem.

Talvez seja apenas uma questão de ajustes. Afinal, programas de televisão também precisam de tempo para encontrar seu formato.

Mas, se a proposta é conquistar o público e ocupar um espaço relevante na programação de sábado do SBT, será necessário muito mais do que dois bons apresentadores diante das câmeras.

É preciso ter conteúdo, ritmo, identidade e, principalmente, entender quem está do outro lado da televisão.

Ramon Santos

Jornalista baiano (DRT 7310/BA), Editor-Executivo do Hora Top TV, Editor-Chefe do Pluricultura e produtor cultural. Transformo informação em conteúdo de qualidade, com paixão pela comunicação e pelo esporte.

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