Justiça Federal interdita passarela de camarote no Carnaval de Salvador

A Justiça Federal determinou, nesta quinta-feira (5), a interdição imediata da passarela do Camarote Glomour, que faz ligação até o Morro do Ipiranga no Carnaval de Salvador. A estrutura montada no Circuito Dodô – Barra/Ondina, voltou a gerar polêmica, por ser contruída numa área de vegetação preservada da cidade.
A decisão atende a uma ação civil pública movida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU-BA), que apontou riscos ambientais, urbanísticos e irregularidades na obra instalada às vésperas da maior festa popular do país.
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Justiça determina interdição de passarela dos camarotes Club e Glamour Salvador
Segundo o juiz da 13ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia, há indícios de que a estrutura foi erguida em área de proteção ambiental, integrante do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (SAVAM) e declarada como Área de Preservação Permanente (APP), com vegetação nativa do bioma Mata Atlântica.
A justiça pontuou ainda algumas determinação, como a interdição imediata da estrutura, bem como a suspensão de qualquer atividade durante o carnaval, proibição de novas intervenões até uma nova decição judicial e uma multa de R$ 50 mil, com milite de R$ 1 milhão em caso de descumprimentos.
Apesar do pedido de remoção da estrutura feito pelo CAU-BA, a Justiça optou por aguardar manifestação da empresa responsável — a Salvador Produções — e eventual complementação técnica antes de decidir sobre a retirada definitiva, para assegurar o contraditório no processo.
Conhecida popularmente como “passarela do apartheid” voltou a gerar polêmica este ano. Críticos da obra argumentam que ela simboliza uma divisão socioespacial no carnaval, privilegiando foliões de camarotes fechados em detrimento da experiência coletiva da festa de rua e reforçando desigualdades em um evento tradicionalmente marcado pela diversidade e pela inclusão.
