Sem espaço no horário nobre, líder da única chapa feminina à Presidência trava batalha contra exclusão da mídia

À medida que o primeiro debate presidencial na TV aberta se aproxima, com os nomes que dominam as pesquisas, uma parcela do eleitorado brasileiro assistirá a um confronto com ausências notáveis. Candidatos da esquerda radical, como os da Unidade Popular (UP), PSTU e PCB, denunciam sofrer um apagamento sistemático orquestrado pela legislação eleitoral e pelos critérios das emissoras.
O caso mais emblemático deste pleito é o de Samara Martins, candidata à presidência pela Unidade Popular. Aos 38 anos, a cirurgiã-dentista do SUS e ativista de movimentos sociais lidera a única chapa 100% feminina na disputa nacional, tendo a guarda-portuária paraense Raquel Brício como vice.
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Apesar do ineditismo e da pauta voltada para as classes trabalhadoras e o combate à violência contra a mulher, a dupla não tem presença garantida nas principais emissoras do país.
A cláusula de barreira e a exclusão nos debates
A raiz da exclusão atende pelo nome de cláusula de barreira. A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) estipula que as emissoras de rádio e televisão são obrigadas a convidar para os debates apenas os candidatos cujos partidos possuem uma representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional.
Para legendas como a UP, de origem recente e sem representantes eleitos na Câmara ou no Senado, a participação torna-se facultativa. Na prática, as emissoras exercem o direito de não convidá-los, argumentando a necessidade de manter a dinâmica dos debates e evitar o inchaço do número de participantes, priorizando nomes que lideram as pesquisas de intenção de voto.
“Queremos que as mídias tradicionais nos mostrem também, não apenas políticos de direita” argumentou Jones Manoel, historiador que está fortalecendo o movimento. A consequência, segundo o partido, é a imposição de um “voto útil antecipado” ao eleitor logo no primeiro turno, momento que deveria ser marcado pela pluralidade irrestrita de propostas.
Sem espaço no horário nobre e com tempo ínfimo na propaganda eleitoral gratuita, a campanha de Samara Martins se reorganiza. A disputa por atenção migra da tela da TV para a tela do celular.
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Mobilização nas redes sociais
Nas redes sociais, mais especificamente no X, Instagram e TikTok, a militância desses partidos estrutura um forte movimento orgânico. Campanhas com hashtags exigindo a presença de Samara e outros candidatos radicais nos debates tornaram-se rotina.
A estratégia tenta furar a bolha da grande mídia para apresentar um programa de governo que propõe uma “ruptura anticapitalista”, incluindo a estatização do sistema financeiro, o fim da escala 6×1 e a expropriação de grandes fortunas.
Este apagamento não é um fenômeno novo. Nas eleições de 2022, o então candidato da UP, Leonardo Péricles, denunciou fortemente a exclusão de sua chapa. O mesmo ocorreu com Vera Lúcia (PSTU). Enquanto o sistema político e a mídia debatem a polarização tradicional, candidaturas como a de Samara Martins seguem usando a internet e o “trabalho de formiguinha” nas ruas para garantir que, mesmo sem os holofotes do horário nobre, sua mensagem encontre eco.
