CBV proíbe atletas trans e decisão afeta Tiffany Abreu

Na noite da última sexta-feira (14), a decisão da CBV de acatar a nova política do Comitê Olímpico Internacional (COI) proibiu a participação de mulheres trans nas competições de vôlei feminino.
Em março deste ano, o COI anunciou uma nova política para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Segundo a decisão, apenas “fêmeas biológicas” poderão participar das competições coletivas e individuais femininas na próxima edição. Segundo a presidente do COI, Kirsty Coventry, a política anunciada é baseada na ciência e liderada por médicos especialistas. Ela também justificou que até as menores margens podem representar a diferença entre a vitória e a derrota.
Para a elaboração da política, o COI levou em consideração grupos formados por diversos médicos especialistas. O COI também realizou consultas com cerca de 1,1 mil atletas. Além disso, o Comitê Olímpico Internacional exige um teste de sexagem em todas as atletas. O exame é realizado por meio da coleta de saliva ou de uma amostra sanguínea para verificar a presença do gene SRY, considerado fundamental para o desenvolvimento do sexo masculino em mamíferos, incluindo humanos – desde 1990 esses testes não eram integrados – é uma medida que pode afetar, também, pessoas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD), intersexo.
Países reagem à decisão do COI
Diante da nova política, a entidade determinou que organizações esportivas nacionais e internacionais deveriam aderir à nova política adotada pelo COI. No entanto, alguns países se posicionaram contra a medida. A França foi um dos primeiros países a se pronunciar contra a medida, alegando que a decisão representa um retrocesso para o esporte.
Em contrapartida, federações da Austrália e da Nova Zelândia acataram a decisão. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump comemorou a medida por meio da rede Truth Social.
Trump afirmou que a decisão aconteceu por conta de uma ordem executiva exigida por seu governo em defesa das mulheres e meninas. Antes da decisão do COI, o governo americano já havia ameaçado barrar os vistos de atletas trans que entrassem no país.
Decisão da CBV afeta Tifanny Abreu
No Brasil, porém, a medida não havia sido adotada até a última sexta-feira (14), quando a CBV divulgou, por meio de nota oficial, a proibição de atletas trans nas competições femininas do vôlei nacional. Diante a decisão, a jogadora Tifanny Abreu, oposta do Osasco São Cristóvão Saúde, é a única atleta trans em atividade na Superliga Feminina. Ela está há quase dez anos na liga e defende a equipe osasquense desde 2021.
Além disso, a confirmação da nova política pegou o clube de surpresa. Em nota oficial, o Osasco afirmou que não havia participado da elaboração da nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina e que tomou conhecimento da medida apenas após sua publicação pela entidade. Além disso, o clube informou que seu departamento jurídico está analisando a decisão para definir os próximos passos e reafirmou apoio à atleta.
Com a determinação, Tiffany não poderá participar das competições nacionais como: Superliga Feminina, Copa do Brasil e Supercopa do Brasil.
Já no dia seguinte, em jogo marcado pela primeira rodada do Campeonato Paulista de Vôlei entre Osasco e Pinheiros, a atleta esteve em quadra – já que as competições estaduais não entram na proibição – Tiffany foi a maior pontuadora da partida com dezenove pontos, mesmo com a derrota do time osasquense por 3 sets a 2. Após o apito final, a jogadora falou pela primeira vez sobre a determinação da CBV, emocionada, a atleta declarou: “O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho.” a atleta disse que não vai se calar e continuará lutando.
Algumas atletas também se pronunciaram sobre a decisão tomada pela CBV. A capitã da seleção brasileira, Gabi Guimarães, e a ex-jogadora e bicampeã olímpica Sheilla Castro manifestaram, em suas redes sociais, indignação com a nova política e demonstraram apoio à atleta do Osasco.
