Resident Evil diverte, mas está longe de entregar o que os fãs esperavam

Resident Evil ainda vale a pena?
Antes de assistir ao novo filme, confesso que criei algumas expectativas. As primeiras reações que chegaram até mim eram bastante positivas, com críticos e influenciadores chamando a produção de uma das melhores adaptações da franquia e até dizendo que finalmente Resident Evil havia encontrado um bom caminho.
Então fui assistir esperando, no mínimo, um bom filme de zumbis. E até fui preparada para não cobrar tanta fidelidade aos jogos. Afinal, já tinha visto comentários dizendo justamente isso: seria um bom filme de zumbis, mas não necessariamente um bom Resident Evil.
O problema é que, para mim, nem como filme de zumbis ele conseguiu me conquistar completamente.
O longa acompanha Bryan (Austin Abrams), um entregador de medicamentos que acaba preso em meio a um surto de criaturas em Raccoon City. A história é original e não adapta diretamente nenhum dos jogos, algo que já era conhecido antes da estreia. Ainda assim, para quem acompanha a franquia, as referências estão presentes — principalmente na Umbrella, nos experimentos e em algumas situações que remetem aos games.
“A Última Casa”: mesmo detonado pela crítica, filme com Wagner Moura vira o mais visto da Netflix
Mas senti que o nome Resident Evil acaba pesando mais do que a própria conexão com a franquia. Os personagens não são os mesmos dos jogos e a história também não segue nenhum dos acontecimentos conhecidos. Em vários momentos, fiquei com a sensação de que poderia estar assistindo a um filme de sobrevivência contra zumbis que, em determinado momento, alguém decidiu chamar de Resident Evil.
E olha que eu tentei não fazer essa cobrança.
Um dos poucos momentos que realmente me trouxe uma lembrança mais direta dos jogos foi uma sequência de fuga que remete a Resident Evil 3, principalmente pela ambientação e pela sensação de estar correndo pela cidade enquanto uma criatura persegue o protagonista.
Também enxerguei algumas semelhanças com Resident Evil: Outbreak. O jogo colocava pessoas comuns tentando sobreviver ao caos de Raccoon City, e Bryan tem justamente esse perfil: ele é um entregador que não começa a história como um grande sobrevivente ou alguém que sabe manejar armas. Ele simplesmente está no lugar errado na hora errada e precisa aprender a sobreviver.
Só que o filme não consegue sustentar essa tensão por muito tempo.
O humor aparece constantemente e, em alguns momentos, funciona. O problema é que ele também transforma determinadas situações em algo mais próximo da galhofa. Isso muda bastante o clima da produção. Em vez de um terror de sobrevivência ou de um filme de apocalipse que faça você ficar tenso, temos uma aventura com zumbis que frequentemente parece mais preocupada em divertir do que em assustar.
Não acho necessariamente errado colocar comédia em Resident Evil. O problema é que, para mim, o equilíbrio não funcionou. Algumas cenas poderiam ter sido muito mais tensas se o filme tivesse segurado um pouco mais a mão no humor.
E, apesar de todas essas críticas, preciso fazer um elogio: os efeitos especiais são uma das melhores coisas do filme.
As criaturas, as transformações e principalmente algumas das sequências de destruição ficaram muito boas. A cena envolvendo os zumbis e o elevador, por exemplo, é visualmente impressionante. Dá para perceber que houve um investimento considerável nessa parte da produção, e o resultado aparece na tela.
Fiebre transforma febre de menino em uma viagem pelo mundo da imaginação
Também gostei da transformação do protagonista ao longo da história. Sem entrar em grandes spoilers, a trajetória de Bryan vai ficando cada vez mais ligada às criaturas, até chegar a um momento em que vira um monstro parecendo o William Birkin, personagem conhecido dos jogos.
E aí chegamos ao final.
Quando os créditos começaram, muita gente permaneceu na sala esperando uma possível cena pós-créditos. Eu também fiquei curiosa. O encerramento deixa bastante espaço para uma continuação, principalmente pela situação em que Bryan termina a história.
É aquele típico final que parece dizer: se o filme fizer dinheiro, talvez a história continue.
No fim das contas, minha experiência com Resident Evil foi bem diferente das expectativas que criei antes de entrar na sala. É um filme divertido? Sim. Tem bons efeitos? Sem dúvida. Tem algumas referências interessantes aos jogos? Talvez. Mas achei que faltou justamente aquilo que deveria fazer essa produção se destacar como um filme de Resident Evil.
Para mim, ficou a sensação de assistir a um filme de zumbis com elementos da franquia espalhados pelo caminho. E, considerando o quanto eu gosto dos jogos, esperava sair da sessão pensando “caramba, esse é Resident Evil”.
Não foi o que aconteceu.
Minha nota: 4/10.
