Sucesso, mistério e Dark Romance: a trajetória da escritora Zoe X

Sucesso, mistério e Dark Romance: a trajetória da escritora Zoe X (Foto: Material Promocional)

Por trás das páginas de romances intensos, encontra-se uma autora que carrega um grande mistério em torno de sua identidade. Zoe X é uma escritora com 10 anos de carreira e mais de 400 mil livros vendidos nos meios digital e físico, que optou por utilizar um pseudônimo e não revelar seu rosto ao grande público.

Com mais de 70 mil seguidores em seu perfil do Instagram e sendo Top 2 geral da Loja Kindle, por onde vende a maior parte de suas obras, a escritora escolheu separar sua vida pessoal da profissional e deixar suas criações falarem por ela. Utilizando um computador e uma balaclava preta, elemento que virou marca registrada da literata, Zoe X consolidou-se como uma referência no Dark Romance, subgênero literário que mistura enredos românticos com temas pesados, tabus, violência e moralidade ambígua.

Dez anos de estrada e mais de 400 mil leitores

Zoe faz parte de uma geração da literatura brasileira que se iniciou na internet, publicando de forma independente e cultivando uma relação mais pessoal com o seu público, mesmo sem apresentar sua face real. Em seu perfil do Instagram, a romancista declarou: “escrever é a forma mais honesta que encontrei de existir no mundo”.

Foi em um dos momentos de maior sensibilidade de sua vida que encontrou motivação para começar a carreira na escrita. A autora viu seu pai adoecer sem ter conseguido realizar seus próprios sonhos e, a partir disso, resolveu que não passaria por uma situação semelhante.

Por meio da plataforma Wattpad, começou a publicar suas obras. Lá, criou uma série distópica, a qual nunca finalizou, que fez grande sucesso e lhe garantiu, em 2017, o prêmio Wattys, a gratificação máxima da plataforma. Com o lançamento de seu primeiro livro profissional, Indomável (2018), Zoe pediu demissão do emprego da época e passou a se dedicar completamente à literatura.

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Após esse início repleto de altos e baixos, o pai da escritora conseguiu se recuperar. Hoje, Zoe X tornou-se um ícone do Dark Romance brasileiro e conta com mais de 20 livros publicados, sendo dois deles Amor Profano (2025) e Queimando por Você (2026) lançados em formato físico no mercado tradicional de livrarias, em parceria com a Faro Editorial.

Mesmo que muitas de suas obras de sucesso pertençam ao subgênero Dark, a autora também transita por outras vertentes do romance, preservando como marca registrada uma escrita intensa, emocional e cuidadosamente construída.

O que sabemos sobre ela?

Por mais que Zoe resguarde seu nome real e seu rosto, ela não demonstra ter problemas com a exposição; a autora apenas escolheu impor um limite que a mantivesse confortável com a fama. Em suas redes, mantém um contato muito próximo com a audiência, mostra a face de seus pais e de seu marido, além de revelar algumas informações pessoais.

A autora tem 31 anos, é paulistana, libriana e faz aniversário no dia 7 de outubro. Zoe é casada desde 2023 com o seu primeiro namorado. O casal possui como pets uma chinchila chamada Faustino e quatro cachorros: Arthas, Pandora, Athena e Bolota.

O mistério como tradição: o papel dos pseudônimos na arte

O uso de pseudônimos ou do anonimato na literatura é um hábito muito antigo e acontece por diversas razões. Nomes como Mary Shelley e Emily Brontë utilizaram esses artifícios para conseguir que suas obras atingissem um número maior de leitores, uma conquista difícil de se realizar com um nome feminino na capa devido aos costumes e preconceitos da sociedade da época.

De forma similar a Zoe X, Paru Itagaki, criadora da série de mangás chamada Beastars e filha do também escritor Keisuke Itagaki, é uma autora contemporânea que busca preservar sua privacidade. Paru não utiliza pseudônimo, mas é extremamente reservada em relação à sua vida pessoal, não revela seu rosto e realiza todas as suas aparições públicas utilizando uma máscara de galinha.

Quando se fala em pseudônimos, também é inevitável lembrar de Fernando Pessoa, famoso pela criação de heterônimos: personas literárias fictícias que, além de nome, possuem biografias, estilos e personalidades próprias que os diferenciam entre si e do próprio autor.

Zoe X utiliza esse nome para garantir sua privacidade, mas a ferramenta também lhe permite se expor de uma forma que não conseguiria sob sua figura pública tradicional, estabelecendo uma clara divisão entre a vida pessoal e a profissional. A forma que a escritora encontrou de construir um vínculo com seu público e promover sua arte perpetua tradições antigas da literatura, enquanto confere uma singularidade marcante à sua identidade autoral.

Maria Gabrielle

Comunicóloga formada pela UESC, apaixonada por transformar ideias e histórias em conteúdos que informam e inspiram. Acredito no poder do texto bem trabalhado para criar conexões verdadeiras, combinando apuração cuidadosa, clareza e uma linguagem acessível para quem lê.

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